A arte na vida

Por Gabrielle da S. Teixeira

A arte pode ser, para muitos, um universo curioso a ser explorado, no entanto, algumas pessoas ainda a classificam como um elemento dispensável e distante da rotina. De que maneira isso está relacionado às nossas experiências de vida? Fayga Ostrower leva-nos a pensar nessa questão em seu livro Universos da arte

Ostrower nasceu na Polônia em 1920 e chegou ao Rio de Janeiro em 1934, onde estudou Artes Gráficas na Fundação Getúlio Vargas. Foi gravadora, pintora, desenhista e professora de arte, construindo sua carreira entre produções artísticas e aulas em diversas instituições nacionais e internacionais, como o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e a Slade School da Universidade de Londres, sendo referência tanto em projetos pedagógicos como em culturais. Em sua homenagem, foi criado o Instituto Fayga Ostrower em 2002, em que, por meio de uma plataforma on-line, é possível conhecer todas as obras catalogadas da autora que são divulgadas por diferentes projetos que mantêm viva sua memória, tais como: seminários e exposições.

O livro inicia com o relato da autora, feito de maneira carinhosa e orgulhosa de sua experiência de lecionar algumas aulas para funcionários de uma fábrica de livros, os quais realizavam tarefas como encadernação, impressão de capas, colagem, recorte etc., vistas por eles somente como atividades mecânicas, e não como um processo artesanal. Em 1970, Ostrower foi contratada pela empresa para ensinar aos operários o universo da arte; uma situação inesperada, visto que não sabia como apresentar termos específicos do campo artístico para homens que não veriam um real motivo para frequentar tais aulas. Entretanto, foi surpreendida pelo grande interesse e participação de seus alunos, percebendo que nada é impossível de ser ensinado, desde que se adapte os conteúdos à realidade de cada aprendiz. 

“Pensei interligar as explicações teóricas a exercícios práticos feitos em aula, imaginando experimentos que introduzissem de maneira muito natural certos aspectos da percepção do espaço. Além disso, resolvi acompanhar cada explicação teórica com análises de obras de arte e ainda com dados sobre os artistas e as épocas abordadas, a fim de a teoria não se resumir a conceituações secas e sim revelar o dinamismo da própria vida.”

O livro, composto por diversas ilustrações, esquemas e reproduções de obras, segue as divisões dos assuntos propostos pela autora no decorrer das aulas. O primeiro capítulo aborda como a composição artística está relacionada a determinados aspectos expressivos do movimento visual, segundo noções espaciais. Esse assunto foi desenvolvido conforme os questionamentos de seus alunos sobre a interpretação e a compreensão de uma obra. O capítulo dois apresenta o que Ostrower define como vocabulário visual que está presente na estruturação do espaço nas imagens, tais como “Linha”, “Superfície”, “Volume”. No terceiro capítulo, são levantados os problemas de composição, voltando-se a semelhanças e contrastes presentes na elaboração de uma obra de arte, que encaminham ao tema principal do curso ministrado – a apreciação estilística das obras de arte. Isso é abordado no quarto e último capítulo, correspondendo ao estudo da arte pré-histórica, contemporânea e das correntes estilísticas, como Naturalismo e Expressionismo.

“Sintetizando os dados e conhecimentos teóricos de nossas aulas anteriores, quis mostrar que, para avaliar objetivamente o fenômeno da arte em nossos dias, era preciso compreender os conteúdos expressivos a partir de critérios de linguagem artística — como, aliás, é o caso das obras de qualquer época. […] Quer dizer, as obras de arte também contêm significados psicológicos, sociológicos, históricos, filosóficos, sociais, às vezes políticos, mas, sem levar em consideração o fator de linguagem como prioritário, perde-se justamente a qualidade de arte nessas obras, os significados artísticos que ampliam nossa sensibilidade e nosso ser consciente diante do mundo.”

Vale ressaltar que o livro não se limita à experiência da autora em uma sala de aula, mas parte de tal perspectiva para uma abordagem mais abrangente a respeito da composição artística, isto é, como o ato de compor uma obra de arte depende de muitos detalhes e técnicas para ser realizado. Além disso, observa como esse processo se relaciona com o desenvolvimento humano, responsável por um saber que não está sendo dito por palavras, mas expressado por meio de traços. A vida se exprime por diferentes formas e todos somos capazes de utilizar os elementos do mundo da arte para nos comunicarmos sem nem mesmo percebermos.

A artista ressalta também como certas obras podem ou não ser aceitas por alguns grupos sociais devido às suas formas de expressão, ou seja, como pode estar envolvida com uma cultura e ser um impasse para outra: um quadro de pessoas nuas ser considerado como um elemento artístico, mas violar as regras de outros.

Assim, Ostrower explica, de maneira objetiva e didática, assuntos julgados complexos. O livro é um estímulo para o ensino artístico, pois não se limita a termos técnicos, mas apresenta o universo da arte como uma ação transformadora do ser humano diante da sociedade. Uma obra indispensável e enriquecedora para todos aqueles que desejam estudar e ensinar os elementos artísticos.

Para saber mais sobre o livro e adquirir o seu exemplar, acesse o nosso site!

Título: Universos da arte

Autor: Fayga Ostrower

ISBN: 978-85-268-1018-1

Reimpressão: 1ª – 2015

Edição: 1ª

Ano: 2013

Páginas: 512

Dimensões: 16×23

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s