A formação e a trajetória do gênero romance na literatura brasileira

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Por Gabrielle da S. Teixeira

Como foi o processo de formação do gênero romance no Brasil? Como ele se disseminou em nosso país? Por meio dessas questões, Pedro Dolabela Chagas apresenta o livro Todos eles romances, publicado pela Editora da Unicamp.

Dolabela é professor de Literatura Brasileira e Teoria Literária da Universidade Federal do Paraná e, há tempos, dedica-se aos estudos sobre a teoria e a história do romance, tendo publicado diversos livros que abordam esse assunto, tais como Romance e autonomia no Brasil ao redor de 1970: Uma descrição luhmanniana e O romance e a mente

Preocupado com a falta de divulgação da literatura brasileira, o autor idealizou a elaboração desta obra, que enfoca mais detidamente os romances dos anos de 1960 a 1980.

O livro inicia com a análise de três obras brasileiras que revelam quão diversas  e atuais são as obras do nosso país, as quais são: Quarup, do escritor brasileiro Antônio Callado de 1967, que conta a história de um jovem padre que adquire uma nova visão do mundo após viver em uma tribo no Xingu; PanAmérica, de José Agrippino, lançado também em 1967 e que expõe características da Pop Art, relacionando-a com o avanço tecnológico, as metrópoles; e, por fim, a obra Ópera dos Mortos, de Autran Dourado do mesmo ano, que conta a vida e o lado psíquico dos personagens, como o coronel João Capistrano. Três obras singulares que evidenciam a realidade de um país que estava em mudança, introduzindo uma novidade para o povo brasileiro também no que tange a literatura: o gênero romance.

Dividido em cinco capítulos, Todos eles romances aborda a teoria do gênero no primeiro capítulo, o qual tem por objetivo central apresentar uma parte da história do romance que, mesmo sofrendo modificações, definiu uma particularidade que se formou de maneira despercebida e prevaleceu na escrita brasileira, abrangendo uma diversidade de produção que foi permitida pela ausência de uma normatividade. Tal particularidade se dá na forma que o gênero romance é contado para a sociedade, sendo dividida em três pontos: a condição ficcional que permite o leitor experienciar situações distantes de sua realidade; a narrativa longa que possibilita demonstrar essas experiências de uma maneira gradual, sofrendo transformações no decorrer do tempo da história e dispondo de temas considerados importantes para o público; e, por último, o que Dolabela denomina de função de remissão moralizada, isto é, entrelaça as lacunas dos sistemas oficiais (religião, moral, entre outros) com as angústias do indivíduo e da sociedade devido à instabilidade social. No segundo capítulo, é retratado o início de uma possível mudança no trajeto do gênero, ocorrida entre os anos de 1967 e 1979, período definido por Dolabela como um momento propício para analisar a transição do que era visto como “tradição” para uma definição de “passado”, isto é, o que era considerado como algo tradicional ao gênero romance passa a ser considerado como antigo e superado. Nesse capítulo, é examinada a obra Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa como o início dessa divisão.

A variação acelerada do romance é apresentada no terceiro capítulo, denominado “Em busca do Brasil: 1967 – 1979”, composto por análises de obras definidas como distantes da tradição anterior. Já no capítulo quarto – “Rumo ao presente” – é definido o caminho que essa mudança tomou para a formação de um novo modelo de romance. 

O livro se encerra com uma síntese da análise proposta ao longo da obra e, também, com comentários sobre os caminhos que não foram seguidos, como o quadro político da época. Na perspectiva do autor, “a história literária nunca é suficientemente explicada pelo contexto social e político”, por isso ele não recebe um enfoque nesta obra.

“Este livro vê o romance como um fenômeno dotado de características transistóricas, mas que traz a historicidade como seu atributo ontológico. Ele defende que aquelas características impõem condições peculiares para a compreensão da sua história. Ele aborda uma porção pequena e localizada dessa história, quando a aceleração da diversificação foi o fenômeno a ser explicado. Tudo dando certo, ele terá contribuído para a pesquisa sobre a literatura brasileira e a teoria do romance – cabe ao leitor o veredito.”

Portanto, o livro visa analisar a trajetória e o processo de mudança estética, funcional e temática do gênero romance de forma independente, para que assim o leitor possa compreender o que é esse gênero de maneira clara e sem significativas interferências de questões políticas que, quando envolvidas, acabam inferiorizando os importantes e ricos detalhes do gênero, o qual se constitui por meio de seu próprio processo de escrita. Como também expõe as consequências de tais transformações para os anos posteriores, no qual é definido por Dolabela como um fenômeno que evidencia tais processos ressaltando sua relação com o indivíduo e com a sociedade brasileira.

Para saber mais sobre o livro e adquirir o seu exemplar, acesse o nosso site!

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Título: Todos eles romances

Autor: Pedro Dolabela Chagas

ISBN: 978-65-86253-20-7

Edição: 1ª

Ano: 2020

Páginas: 408

Dimensões: 16×23

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