Schopenhauer e os fundamentos da cognição humana

Por Luisa Ghidotti Souza

“Nada é sem uma razão pela qual é ou não é.” Christian Wolff

O alemão Arthur Schopenhauer, nascido em 1788, é considerado um dos mais importantes filósofos europeus. Ao estudar os conceitos da metafísica, ele introduz em suas reflexões aspectos do pensamento indiano e do budismo, criando uma teoria que se propõe ateísta e apresenta excepcional densidade ao teorizar a ética e o conhecimento humano. São de sua autoria inúmeros ensaios que ainda hoje embasam os pensamentos filosóficos no mundo, entre eles um de seus mais conceituados trabalhos teóricos: Sobre a quadrúplice raiz do princípio de razão suficiente. A obra consiste na dissertação de doutorado do autor, que a escreveu aos 26 anos e a revisou, mais tarde, a fim de relançar ao público sua teoria atualizada e amadurecida sobre os fundamentos básicos da razão:

“Não importa que se saiba o que escrevi com 26 e o que escrevi com 60 anos; importa muito mais apenas que aqueles que querem se orientar nos conceitos fundamentais de todo filosofar, se fortalecer e esclarecer, recebam também nestas poucas folhas um livrinho do qual podem aprender algo sério, sólido e verdadeiro: e, assim espero, esse será o caso.”

O texto, traduzido por Oswaldo Giacoia Jr. e Gabriel Valladão Silva, foi publicado pela Editora da Unicamp, em uma edição bilíngue (em alemão e português), inédita no Brasil. Possibilita, assim, uma leitura dos conceitos e reflexões de Schopenhauer acerca da cognição e da representação em ambas as línguas e o cotejo entre o texto original e a versão brasileira. 

Sob este título, Schopenhauer desenvolve o princípio de razão suficiente como “a base da configuração total do mundo da representação” e propõe quatro acepções para este princípio, em contraposição à literatura desenvolvida sobre o assunto até então. O autor afirma que sua teoria consiste em um sistema filosófico completo e complexo.

O princípio de razão suficiente é descrito como o conector dos elementos do sistema de conhecimentos (ciência), conceito que foi ilustrado embrionariamente por Platão, quando este afirma que “as verdadeiras opiniões não são de muito valor, até que se as vincule por um pensamento fundante”. Aristóteles também foi um pensador pioneiro dessa teoria, pois elucida que “todo saber de espécie teórica, ou que de algum modo depende do teórico, lida com fundamentos e princípios”. 

A partir de uma revisão inicial das bases da teoria, apresentadas no primeiro capítulo, no segundo, “Panorama do que até aqui foi ensinado de mais fundamental sobre o princípio de razão suficiente”, Schopenhauer faz uma análise minuciosa, de Platão a Kant, dos conceitos que guiaram seu pensamento. Em seguida, em “Insuficiência da apresentação feita até aqui e ensaio de uma nova”, apresenta seus contrapontos às teorias mencionadas para, então, desenvolver as bases das quatro raízes nos capítulos seguintes. Com este movimento teórico, é constituído o alicerce de toda a teoria filosófica do autor, como explicam os tradutores no “Prefácio à edição brasileira”:

Sobre a quadrúplice raiz do princípio de razão suficiente constitui, portanto, uma condição de inteligibilidade de todo o sistema filosófico de Arthur Schopenhauer, que tem como característica fundamental ser um sistema constituído por um pensamento único, relativamente ao qual todos os aportes posteriormente editados têm natureza complementar e são considerados pelo autor como apensos, adendos, parergo (apêndices) e paralipômenos (suplementos) […] Essa dissertação constitui o cerne de sua teoria do conhecimento e desempenha, no interior da obra, uma função essencial: a de introduzir à lógica de um sistema que forma uma totalidade cerrada, no sentido exigido por Schopenhauer como elemento distintivo do pensamento filosófico.”

Para dissertar sobre a natureza do pensamento humano, Schopenhauer teoriza sobre individuação, homogeneização, pluralidade, sistema, causalidade, tempo e espaço. Estes conceitos constituem os elementos chave para entender o que é representação para o autor, em sua relação entre a virtualidade e a realidade, “com apoio metafórico no pensamento hindu, denomina o véu de Maya, para indicar seu caráter ilusório, se contrastado com a verdadeira realidade metafísica”. 

Densamente, o autor estabelece os quatro pilares do conhecimento em sua representação, em que toda razão está necessariamente vinculada à lógica, à matemática, à física ou à ética. Este é um sistema divisível e, ao mesmo tempo, inquebrável, sobre o qual Schopenhauer afirma que “o mundo é minha representação, esta é uma proposição com o mesmo estatuto teórico dos teoremas de Euclides, uma proposição que todos têm de admitir imediatamente, tão logo a compreendam; ainda que não seja uma proposição que todos compreendam tão logo a ouçam”.

Ademais, as raízes da razão suficiente independem do entendimento de cada um, elas simplesmente existem e funcionam sistematicamente, como propõe o princípio fundamental da teoria, que Schopenhauer localiza em Wolff:  “Nada é sem uma razão pela qual é ou não é”.

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Título: Sobre a quadrúplice raiz do princípio de razão suficiente – Uma dissertação filosófica

Autor: Arthur Schopenhauer

Tradutor: Oswaldo Giacoia Jr. e Gabriel Valladão Silva

ISBN: 978-85-268-1489-9

Edição: 1ª

Ano: 2019

Páginas: 360

Dimensões: 16×23

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