Coleção História do Marxismo no Brasil: a recepção dos escritos marxistas no país e suas influências

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Por Karel Pianez Nieri

Em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels publicaram o Manifesto Comunista, em que escreveram: “Um espectro ronda a Europa. O espectro do comunismo”. De lá para cá, o marxismo se tornou uma das correntes de pensamento que mais influenciaram o mundo, entre revoluções, teóricos e organizações partidárias. O Brasil não ficou de fora dessa esfera de influência. É o impacto desse espectro em terras brasileiras que abarca a coleção História do Marxismo no Brasil. 

A ideia de se contar a história do marxismo no país surgiu em um Grupo de Trabalho sobre partidos e movimentos de esquerda, vinculado à Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs). O ímpeto inicial dos pesquisadores era o de elaborar uma história da esquerda brasileira, porém eles acharam que seria mais proveitoso elaborar uma linha de pesquisa histórica-conceitual. Decidiram, então, escrever sobre a recepção e apropriação teórica do marxismo no Brasil, a influência do marxismo e de seus teóricos na análise e interpretação da sociedade brasileira e a trajetória das organizações e movimentos que se moldaram a partir das ideias de Marx e seus continuadores. São esses os três eixos temáticos da coleção.  

História do Marxismo no Brasil. O impacto das Revoluções é o título que dá início ao primeiro núcleo analítico. Nele, há textos sobre o primórdio do marxismo no país e o impacto das principais revoluções do século XX (russa, chinesa e cubana) em terras brasileiras. O segundo volume dá continuidade a esses temas: nomeado Os influxos teóricos, o livro mostra o esforço dos socialistas brasileiros, na virada do século XIX para o XX, para difundir o marxismo. Além disso, contém capítulos que discutem os aspectos mais importantes da recepção no Brasil das categorias políticas, econômicas e filosóficas do marxismo. Por fim, ele encerra-se com duas análises sobre a recepção dos trabalhos do húngaro Georg Lukács (importante filósofo e teórico literário marxista) e do russo Leon Trotsky. 

O terceiro volume, Teorias. Interpretações, é composto por duas partes. A primeira fecha o eixo temático sobre o influxo teórico, trazendo outros dois importantes autores marxistas do século XX: o franco-argelino Louis Althusser e o italiano Antonio Gramsci. A outra abre o segundo núcleo da coleção: a formulação do marxismo brasileiro, seus autores e suas correntes. O enfoque passa a ser nas “interpretações marxistas de grandes questões brasileiras: democracia, desenvolvimento nacional, contradições estruturais e cultura popular”. Visões do Brasil prossegue na mesma temática. O livro se aprofunda na interpretação do país sob o viés marxista: a luta pela terra, a região do Nordeste como um problema central para a esquerda nacional e a questão da opinião pública na formação política são os principais tópicos desse volume. 

Por fim, inicia-se o último ponto de análise da coleção: os partidos, as organizações e os movimentos que foram influenciados pelo marxismo. O penúltimo livro, intitulado Partidos e organizações dos anos 1920 aos 1960, traz um panorama das principais iniciativas partidárias e dos movimentos autônomos marxistas nesse recorte histórico e é um esforço pioneiro na sistematização das organizações de esquerda no Brasil. Essa história se completa no sexto volume, Partidos e movimentos após os anos 1960, que é composto por duas partes. A primeira dá conta dos partidos e organizações até os dias de hoje. Onde entra, como destaque, a atuação do Partido dos Trabalhadores (PT) a partir da década de 1980 até a sua chegada ao poder. Na parte dois, os movimentos sociais são o foco, como o encontro do marxismo com o feminismo no país e o cristianismo da libertação. 

Tendo diversos colaboradores, de diferentes correntes dentro do pensamento marxista, a coleção História do Marxismo no Brasil teve o seu sexto volume publicado pela Editora da Unicamp em 2006. Foram 15 anos para que ela fosse publicada na íntegra. Ainda assim, os seus organizadores a consideram uma obra em aberto, já que, diferentemente do pensamento  daqueles que achavam que o fim da história tinha chegado, ela ainda continua a marchar.

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