
Leo Pereira Muniz
O período de vestibulares que guia a entrada nas universidades pode ser marcado por muitas tensões. Sem saber o que esperar das provas e de suas correções, é comum que os candidatos passem por um processo de angústia até a chegada da avaliação. Entre os estudos e anseios, a redação concentra grande parte das preocupações de estudantes, docentes e cursinhos preparatórios: a busca por previsões sobre o tema, pelo método perfeito, pelos macetes e dicas que garantirão o resultado esperado, além de tantas outras formas de desvendar os mistérios dessa etapa tão importante e com peso tão significativo na nota final dos avaliados.
Pensando em amenizar essas tensões e auxiliar os estudos, há 28 anos, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) seleciona algumas redações que se destacaram na avaliação da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), não como modelos perfeitos a serem replicados, mas como exemplos de diferentes textos que demonstram habilidades de leitura e escrita na realização da prova e que podem inspirar futuros ingressantes. Neste ano, Redações 2026, publicado pela Editora da Unicamp, reúne uma seleção de 40 textos, sendo 30 de candidatos do Vestibular Unicamp e 10 de candidatos do Vestibular Indígena, divididos entre as quatro diferentes propostas apresentadas.
A coletânea começa com as palavras de Márcia Mendonça, coordenadora acadêmica da Comvest, e José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest, que buscam responder à pergunta: Para que ler redações selecionadas escritas por candidatos/as aos vestibulares Unicamp? Adianto que a seleção abrange diferentes públicos: futuros candidatos, professores, pesquisadores e, claro, os autores dos textos selecionados! Assim, as redações podem ajudar os candidatos e os docentes que guiarão os estudos de seus alunos, mas como? A resposta parte do modelo de prova da Comvest.
Ao contrário de muitas outras comissões, a Comvest não define um gênero textual fixo em suas avaliações. Por isso, é esperado que o autor-candidato assuma uma máscara discursiva para redigir seu texto: “Você é um/a jovem jornalista”; “Você trabalha no setor de Recursos Humanos (RH) de uma empresa” são algumas das frases presentes nas propostas do Vestibular 2026. Com essa organização, os enunciados trazem cenários plausíveis envolvendo problemas contemporâneos que reduzem a eficácia de fórmulas prontas, macetes decorados e respostas padronizadas, em consonância com os critérios de avaliação: proposta temática, gênero, leitura dos textos da prova, convenções da escrita e coesão.
Portanto, é esperado que os estudantes saibam mobilizar práticas de leitura e escrita que envolvem interpretação do gênero textual (o que é uma notícia? Uma reportagem? Uma carta? Um comunicado?), interpretação da temática (o que os textos-base revelam acerca do tema? O que eu já sei/já vi sobre esse tema?) e desenvolvimento de um texto coeso que será entregue à banca examinadora.
Assim, textos anteriores podem não trazer fórmulas a serem copiadas, mas revelam que a banca não espera um modelo pronto de redação. Com a leitura das redações de anos anteriores, candidatos, docentes, pesquisadores e interessados podem encontrar exemplos de boas máscaras discursivas, boas interpretações da coletânea de base, bom uso de argumentos no texto e bom uso de recursos linguísticos essenciais em cada gênero solicitado, tudo isso em textos totalmente distintos entre si, possibilitando diferentes perspectivas ao leitor.
Redações 2026 traz, portanto, as propostas apresentadas pela Comvest aos candidatos deste ano. Para os que realizaram o Vestibular Unicamp, as duas opções possíveis foram: um depoimento pessoal sobre o ambiente perverso da machosfera sob a máscara discursiva de um jovem jornalista ou uma nota de esclarecimento formal sobre a importância histórica da CLT no Brasil sob a máscara discursiva de um trabalhador do setor de RH de uma empresa hipotética. Para o livro, foram escolhidas 15 redações de cada uma dessas propostas, com estilos diversos que se adequam ao esperado pela banca.
Já para aqueles que realizaram o Vestibular Indígena, as duas opções possíveis foram: um manifesto sobre a participação indígena no desenvolvimento de aplicações de Inteligência Artificial Generativa (IA Gen) ou um diário de campo sobre o desenvolvimento de uma IA Gen voltada à preservação de uma língua indígena ameaçada de extinção. Foram escolhidas cinco redações de cada uma das propostas, também com estilos diversos que atendem ao esperado pela banca.
A coletânea deste ano conta com o envolvimento de Márcia Mendonça, coordenadora acadêmica da Comvest; José Alves de Freitas Neto, diretor da Comvest; Cynthia Agra de Brito Neves, professora do IEL-Unicamp; Anderson Carnin, professor do IEL-Unicamp; Elis Nazar Nunes Siqueira, doutoranda e mestra em Linguística Aplicada pela Unicamp; Guilherme Jotto Kawachi, doutor em Linguística Aplicada pela Unicamp; e Luciana Amgarten Quitzau, doutoranda e mestra em Linguística pela Unicamp.
Para candidatos, estudantes, docentes, pesquisadores e outros interessados que buscam saber mais sobre os textos dos vestibulares Unicamp, Redações 2026 já está disponível em nossa livraria física e em nosso site. Confira também outros títulos da série disponíveis em nosso catálogo: Redações 2025, Redações 2024 e Redações 2023.

Autor: Comvest
ISBN: 9788526819429
Edição: 1ª
Ano: 2026
Páginas: 168
Dimensões: 21 x 14 cm