
Por Leo Pereira Muniz
A estrutura contemporânea da nação brasileira é fruto de um longo processo histórico de transformações sociais que impactam diretamente a constituição dos sujeitos que a compõem. Nesse contexto, torna-se indispensável observar o sistema no qual o Estado se insere como agente influente na organização econômica e social. No Brasil, trata-se do capitalismo, cuja dinâmica pode ser compreendida a partir de três tempos históricos: o capitalismo agrário, o capitalismo industrial e o capitalismo pós-industrial/digital. Em cada um desses períodos, emergem diferentes formas de ação coletiva e de construção da identidade social entre os sujeitos formadores da nação, resultando em distintas maneiras de participação política na sociedade.
Diante da importância do tema, Marcio Pochmann constrói um panorama das três fases do capitalismo no Brasil por meio de uma abordagem histórica e analítica, em que destaca a governança de populações e as transformações sociais nacionais nesses períodos, em seu livro Novo sujeito coletivo: a governança de populações em três tempos do capitalismo no Brasil. Na obra, o autor enfatiza ainda o período pós-ditadura militar e a urgência da construção do sujeito político na atual era digital.
Marcio Pochmann é economista, professor, pesquisador e político. Atualmente é presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e professor colaborador do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/Unicamp). Em suas obras, aborda temáticas relacionadas à sua área de atuação e pesquisa, com ênfase no desenvolvimento, nas políticas públicas e nas relações de trabalho, bem como na economia social e trabalhista de forma mais ampla. Entre suas principais publicações, destacam-se Novos horizontes do Brasil na quarta transformação estrutural (2022), O Brasil no capitalismo do século XXI (2023) e, agora, Novo sujeito coletivo.
A obra constrói um panorama aprofundado da realidade nacional, influenciada pela política externa capitalista, pelo passado colonial e escravista, pelas formas de remediação das problemáticas geradas nesse sistema (como o assistencialismo, o fanatismo religioso, o banditismo social, entre outras) e pelos diferentes focos de capital ao longo do tempo. Esse panorama conduz à análise contemporânea, pós-industrial e pós-ditatorial, da política nacional e da formação do sujeito coletivo e político.
Inserido nesse contexto histórico, o autor analisa a governança da população como um dos eixos centrais do capitalismo contemporâneo no Brasil, caracterizada pela gestão permanente das emergências sociais decorrentes da ruína da sociedade industrial estruturada a partir da Revolução de 1930. A consolidação do receituário neoliberal nas últimas décadas intensificou processos de precarização econômica, fragmentação social e enfraquecimento dos mecanismos tradicionais de representação política, configurando um cenário de retrocesso econômico, social, político e cultural que recoloca, em novas bases, o problema da ação coletiva e da construção do sujeito político.
Nesse sentido, Pochmann inicia a obra com a seguinte afirmação:
O Brasil vive, desde a última década do século passado, uma lenta e gradual dissolução da ordem social instalada pela Revolução de 1930, responsável por performar as bases infraestruturais da sociedade urbana e industrial que permitiram seu auge e seu declínio a partir da década de 1990. Em parte, os processos e as instituições que conformam a ordem internacional existente tendem a explicitar movimentos mais gerais de mudanças sociais no plano interno das nações.
Mas isso, por si só, não parece ser suficiente para compreender a produção e a reprodução das forças e suas correlações práticas internas que apontam para a mudança social enquanto fenômeno que modifica formas de vida em sociedade, o modo de organização das relações sociais. A persistência de hábitos e costumes implícitos à ordem vigente constitui obstáculos à mudança social, o que requer considerar simultaneamente tanto a modificação social estrutural, de instituições e formas de ação como a persistência da ordem vigente, sobretudo no Brasil, onde certos traços do passado primitivo mantiveram-se presentes na combinação do atraso com o moderno.
É a partir dessa leitura histórica e estrutural que Novo sujeito coletivo se propõe a perscrutar a reconfiguração morfológica em curso na sociedade brasileira no primeiro quarto do século XXI, considerando o surgimento de uma nova questão social na Era Digital. Essa nova configuração sucede os períodos dominados pelo capitalismo agrário e, posteriormente, urbano e industrial, e evidencia a emergência de formas inéditas de organização social, governança da população e constituição do sujeito coletivo no Brasil contemporâneo.
Essa introdução abre caminho para o debate acerca do sujeito coletivo contemporâneo, da atual etapa do capitalismo no Brasil, de suas mazelas e da urgência em pensar a formação política atual a partir da observação das transformações sociais ocorridas ao longo do último século.
Tendo em vista os debates fundamentais construídos na obra de Pochmann, percebe-se que Novo sujeito coletivo constitui leitura indispensável para estudiosos do desenvolvimento, da sociedade, da economia, do trabalho, das políticas públicas e da história e da política nacionais e internacionais.
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Novo sujeito coletivo: a governança de populações em três tempos do capitalismo no Brasil
Autor: Marcio Pochmann
ISBN: 9788526818019
Edição: 1ª
Ano: 2025
Páginas: 200
Dimensões: 21 x 14 cm