Um olhar histórico para a economia brasileira

Por Maria Vitória Gomes Cardoso

A área da economia é uma das mais estudadas e discutidas atualmente no país e no mundo, sendo essencial para o funcionamento adequado da sociedade. Cada nação possui uma história econômica única, e é crucial que haja acesso a estudos e informações de todo esse histórico, afinal, entender a trajetória econômica de um país é fundamental para compreender seu presente e orientar políticas futuras. Nesse sentido, o livro O Brasil no capitalismo do século XXI mostra-se um excelente material de apoio para essa jornada de estudos, já que convida o leitor para uma reflexão acerca do modelo de desenvolvimento implantado no Brasil, a partir da última década do século XX. 

A obra, organizada em quatro partes, descreve a formação do capitalismo no país, desde a colonização portuguesa até a sociedade capitalista neoliberal atual. Na Apresentação, os autores dividem os mais de 200 anos que se sucederam à declaração da independência nacional, em 1822, em quatro períodos: mercantilismo, liberalismo, desenvolvimentismo e neoliberalismo. Marcio Pochmann e Luciana Caetano da Silva, autores do livro, são doutores pela Unicamp, sendo ele professor titular do Instituto de Economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit-Unicamp) e ela professora da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), além de pesquisadora líder do Grupo de Pesquisa Dimensões e Dinâmica do Mundo do Trabalho (GDIMT). Marcio Pochmann também é autor de Novos horizontes do Brasil na quarta transformação estrutural, livro publicado pela Editora da Unicamp na Série Discutindo o Brasil e o Mundo, que traz uma narrativa distinta da usual sobre o Brasil contemporâneo.

Um dos aspectos ressaltados pelos autores na obra é sobre como o processo de construção do capitalismo no Brasil foi tardio por conta do prolongamento da segunda fase da escravidão moderna. Sobre o longo e infeliz sistema escravista no país, os autores afirmam: 

Para um país cuja trajetória estava vinculada diretamente ao tráfico negreiro, responsável por 12,4 milhões de africanos embarcados por navios, sendo 1,8 milhão de mortos durante a viagem, o rompimento com a escravidão não foi simples. Em plena década de sua Independência, o Brasil detinha 2/3 de sua população constituída por escravos, e a sua capital, a cidade do Rio de Janeiro, foi a maior cidade escravista desde a Roma Antiga.

Além disso, os lucros provenientes da produção para exportação, como a do café, eram a justificativa para a elite brasileira da época transigir com o horror humano da escravidão.

Também é abordado no livro o processo de industrialização tardio do Brasil, que se consolidou apenas após a Revolução de 1930. Com o fortalecimento desse processo, a composição de classes sociais no país alterou-se e as desigualdades regionais foram ampliadas a partir do final do século XIX, decorrentes do processo de integração econômica e política das regiões.

Ao decorrer da obra, essas desigualdades regionais são mais evidenciadas e explicadas, já que os autores comentam individualmente cada uma das cinco regiões brasileiras: Sudeste, Nordeste, Sul, Centro-Oeste e Norte. Assim, temos acesso a algumas informações bem interessantes, com dados científicos e gráficos que ilustram bem as estatísticas. 

Vemos na última parte do livro, por exemplo, que, de acordo com dados fornecidos pelo Ministério da Economia, pela Secretaria de Relações Exteriores e pelo IBGE, até o ano de 2022, o Sudeste tem representação demográfica de 42% e lidera as exportações brasileiras, já o Nordeste é uma região com graves problemas estruturais de desigualdade social, o que explica a insuficiência de geração de emprego e renda para o conjunto da população. O Sul tem mostrado avanços nos indicadores sociais e o Centro-Oeste tem apresentado melhor desempenho econômico, pois obteve uma expansão do setor de serviços devido ao agronegócio. Já a região Norte apresenta um movimento muito semelhante ao do Centro-Oeste, visto que ambas as regiões têm sido agredidas do ponto de vista da sustentabilidade ambiental, tanto os recursos naturais como a população nativa, muito por causa do fortalecimento da tríade agricultura-pecuária-extrativismo.

Ao abordar temas como a colonização, o sistema escravista, os períodos monárquico e republicano, e a ascensão do neoliberalismo, a obra proporciona uma compreensão abrangente dos múltiplos fatores que influenciaram a economia brasileira ao longo do tempo. Assim, o livro pode ser considerado bem completo, já que traz um contexto histórico sobre a economia no Brasil e dialoga com os aspectos sociais e históricos que moldaram a trajetória do país. Leitura indicada para todos aqueles que estudam economia e história do Brasil.

Para saber mais sobre o livro, visite o nosso site!

O Brasil no capitalismo do século XXI

Autores: Marcio Pochmann e Luciana Caetano da Silva

ISBN: 9788526816183

Edição: 1a

Ano: 2023

Páginas: 184

Dimensões: 16 x 23 cm

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