Jornal da Unicamp publica entrevista sobre o livro “A melodia de Jobim”

Jornal da Unicamp – Depois de A harmonia de Jobim, publicado em 2022, como foi a produção desse novo livro sobre o compositor? Essa obra dá continuidade ao estudo anterior?

Carlos Almada – Na verdade, os dois livros integram uma pesquisa abrangente, detalhada e sistemática sobre a estrutura da música do nosso grande maestro soberano, envolvendo não apenas observações analíticas, como a elaboração de modelos teóricos e metodologias originais. Ambos, aliás, prestam-se perfeitamente a generalizações e consequente extensão da pesquisa a outros repertórios, o que está sendo feito atualmente. Embora harmonia e melodia sejam estudadas separadamente em cada livro, são entidades mutuamente complementares e perfeitamente integradas na música de Jobim, em proporções e profundidade talvez únicas. Os dois trabalhos visam, enfim, contribuir para a abertura de uma nova perspectiva sobre essa beleza sem fim que é a música do Tom.

JU – Como o senhor definiria o estilo jobiniano e qual seria a contribuição desse estilo para a música brasileira?

Carlos Almada – Isso é algo tão complexo que extrapolaria o espaço que tenho para responder. No capítulo final de A melodia de Jobim, listo de maneira sistemática alguns elementos que poderiam ser considerados marcadores estilísticos da prática jobiniana, ainda que de maneira hipotética, na falta de parâmetros de comparação naquele momento em que escrevi o texto. Essa lacuna está aos poucos sendo preenchida com pesquisas realizadas atualmente para examinar os corpora de outros nove grandes compositores da MPB.

Uma comparação detalhada desses resultados, englobando avaliações estrutural-musicais e estatísticas, está nos meus planos e deve ocorrer em breve, o que nos permitirá estabelecer com precisão e sistematicamente as bases do estilo de Jobim (e dos demais compositores estudados).

JU – No livro são apresentadas algumas peças inéditas de Tom Jobim. Na sua opinião, por que elas nunca foram publicadas pelo compositor?

Carlos Almada – Um trabalho paralelo realizado ao longo da minha pesquisa e que me trouxe um conhecimento inestimável sobre o modus operandi do Tom foi o exame de seus manuscritos não publicados. Senti-me, além disso, extremamente honrado pelo privilégio (concedido pelo excelente Instituto Antonio Carlos Jobim) de poder acessar esse verdadeiro tesouro. Encontrei cerca de 210 composições não publicadas, a maior parte delas incompleta, embora um número considerável desses manuscritos (por volta de 20%) apresente obras finalizadas (ou algo bem próximo disso). Voltando à pergunta, não tenho ideia sobre a razão de essas peças nunca terem sido gravadas ou editadas. Infelizmente, suponho que nunca saberemos.

JU – Quais foram os principais desafios no processo de seleção das canções incluídas no livro?

Carlos Almada – A seleção das obras examinadas no livro, que abrange um pequeno subconjunto do total considerado na pesquisa global sobre a música de Jobim, foi especificamente condicionada pelos tópicos abordados ao longo dos capítulos, embora menções a outras canções ocorram eventualmente, como reforço. No caso da pesquisa sobre o estilo (algo contemplado na primeira parte do livro), as peças selecionadas se dividem em três subgrupos delimitados cronológica e esteticamente, correspondendo ao que denominei: “fase pré-bossa nova”, “fase bossa nova” e “fase pós-bossa nova”. Nesses subgrupos incluí também um corpus das peças não publicadas. A partir dessa estrutura predefinida, o processo de seleção se tornou consideravelmente simples e preciso.

Para ler a entrevista no site do Jornal da Unicamp, clique aqui.

A melodia de Jobim

Autor: Carlos Almada

Edição: 1a

Ano: 2023

Páginas: 304

Dimensões: 16 cm x 23 cm

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