
Maria Eduarda Peloggia Lunardelli
Uma das principais virtudes deste livro é a metodologia utilizada na sua pesquisa. Suas proposições estão ancoradas em uma paciente e sistemática coleta de dados analíticos, empreendida por anos a fio pelo autor e por uma equipe de pesquisa por ele liderada. Essa prática se reflete na extensa lista de publicações em revistas acadêmicas e anais de congressos que o grupo produziu. Ou seja, as diversas proposições teóricas inovadoras do livro não são divagações, mas fruto do método clássico na pesquisa científica, que nos ensina a fundamentar generalizações em evidências experimentais sólidas. Foi a análise sistemática de diversos corpora de composições, especialmente o de Tom Jobim, que forneceu o cabedal de evidências que permitiu ao autor comprovar a validade de suas teorizações. (Rodolfo Coelho de Souza)
A música é, como a grande maioria dos objetos de estudo das ciências humanas, um fenômeno vivo, em constante transformação. Por isso, as pesquisas realizadas nessa área não somente exigem atualizações recorrentes, como também dependem do contato direto com a prática musical, condição fundamental para que os resultados sejam bem fundamentados e férteis para novas investigações.
Atento a esse cenário – e à crescente expansão dos cursos de música popular no Brasil, muitas vezes carentes de uma base bibliográfica sólida –, Carlos Almada desenvolve em Funcionalidade harmônica em música popular um trabalho original e consistente, que contribui de forma significativa para a ampliação dos estudos sobre harmonia musical. Ao articular teoria e prática, o autor oferece fundamentos tanto para o ensino da música popular quanto para a pesquisa acadêmica em música, apresentando uma metodologia que pode servir de referência para áreas de estudo marcadas pelo dinamismo e pela constante renovação.
Com atuação consolidada nas áreas de teoria, análise musical e estudos sistemáticos em música popular, Carlos de Lemos Almada iniciou sua trajetória acadêmica em outro campo: formou-se em Engenharia Mecânica pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Posteriormente, optou por seguir carreira no meio artístico, tornando-se mestre e doutor em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, instituição onde atualmente é professor nos cursos de graduação e pós-graduação da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além da atuação docente, Almada é arranjador, compositor e autor de diversos livros, artigos e periódicos. Pela Editora da Unicamp, publicou Arranjo (2001), Harmonia funcional (2013), A harmonia de Jobim (2022),A melodia de Jobim (2023) e agora Funcionalidade harmônica em música popular (2025).
A nova obra é resultado de uma série de pesquisas que deram origem aos livros anteriores e se dedica à ampla área de estudos da harmonia. Ao longo dos anos, Almada testou e refinou suas proposições teóricas em aulas práticas, concebidas como verdadeiros “campos de teste”, o que confere solidez e consistência à teoria apresentada.
O título é composto de dez capítulos, além de prefácio – escrito por Rodolfo Coelho de Souza, musicólogo, compositor e professor titular do Departamento de Música da Universidade de São Paulo (USP) –, introdução, textos conclusivos, três apêndices e um glossário, recursos que contribuem para tornar a proposta teórica mais clara e acessível. Cada capítulo é dedicado à elaboração, à explicação e à contextualização dos conceitos mobilizados na apresentação da funcionalidade aplicada à harmonia na música popular.
Dividida em duas partes, a obra se inicia com a discussão da funcionalidade tonal. O primeiro capítulo, “Pressupostos”, apresenta a noção de funcionalidade harmônica como resultado das interações complementares entre componentes acordais e melódicos. Em “Taxonomia das categorias funcionais”, Almada descreve a organização dos três eixos principais da classificação funcional tonal na música popular, propondo uma taxonomia unificada que contempla os modos maior e menor. O capítulo “Funcionalidade melódica” explora as noções de microfuncionalidade e funcionalidade contrapontística, subordinadas a eventos e “forças” melódicas.
Em “Expectativa”, o autor dialoga com diferentes abordagens teóricas que tratam de conceitos como entropia, probabilidade e contexto na formação das relações sintáticas harmônicas. Na sequência, “Contextos funcionais” aprofunda a discussão sobre a tipologia desses contextos. “Níveis de análise funcional” destaca os gestos funcionais retóricos (GFRs) e o espaço regional nas relações tonais, enquanto “Uma perspectiva estatística da funcionalidade” apresenta um ponto de vista empírico das formulações discutidas anteriormente.
A segunda parte do livro, intitulada “A funcionalidade não tonal”, propõe uma reflexão sobre a ampliação do conceito de função para além de seu sentido tradicional. Em “Funcionalidade modal”, Almada apresenta diferentes possibilidades da prática modal na música popular. “Generalização da funcionalidade modal” explora caminhos pouco abordados na música popular urbana, a partir das experiências do próprio autor como compositor. Por fim, “Hipermodulação” amplia o conceito discutido anteriormente, incorporando a noção de ambientes funcionais.
Ao longo de toda a obra, Funcionalidade harmônica em música popularpropõe reflexões sobre as múltiplas formas de compreender as funções harmônicas da música popular, considerando diferentes contextos da prática composicional. Destinado a estudantes e pesquisadores já familiarizados com os estudos musicais, o livro apresenta uma abordagem teórica inédita, embasada em análises consistentes e na experiência docente do autor, ampliando de maneira significativa o repertório crítico sobre música popular.
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Funcionalidade harmônica em música popular
Autor: Carlos Almada
ISBN: 9788526817883
Edição: 1ª
Ano: 2025
Páginas: 400
Dimensões: 16 x 23 cm