
Victor Shimabukuro Pastor
Não é preciso grande esforço para perceber o quão crítica se tornou a situação ambiental do planeta. Instabilidades climáticas, estiagens em épocas de chuva, tempestades em épocas de seca, desastres em escala inédita, contaminações e surtos de doenças compõem um diagnóstico sombrio – embora não desprovido de esperança. Inserido nesse contexto, o livro Alternativas sistêmicas rumo à sustentabilidade da vida, parte da Série Extensão Universitária da Editora da Unicamp, busca mapear conceitos e apontar caminhos capazes de mitigar esse processo. A obra parte da noção de “alternativas sistêmicas”, entendidas como “formas diversas e integradas de organização social, econômica, política e cultural que vicejam em todo o mundo e que abrem possibilidades para pensar as transformações de nossos sistemas socioeconômicos”.
Organizado por Paulo Sérgio Fracalanza e Rosana Icassatti Corazza, o volume resulta de um esforço coletivo de reflexão crítica sobre o colapso ambiental, vinculado ao ciclo de debates “Alternativas sistêmicas rumo à sustentabilidade da vida”. Com participação de graduandos, pós-graduandos e docentes, o livro reúne artigos que tratam de diferentes abordagens inseridas nesse campo conceitual. Fracalanza tem graduação em Ciências Econômicas e em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestrado em Economia pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado pela Unicamp, onde é professor do Instituto de Economia. Já Rosana Icassatti Corazza tem graduação em Economia e doutorado em Política Científica e Tecnológica pela Unicamp, onde é professora do Instituto de Geociências.
É este livro que agora se encontra aqui disponível que procura organizar alguns dos principais conceitos, abordagens, possibilidades e rumos que têm, felizmente, se multiplicado em nosso mundo – as utopias viventes que podem nos mover, oxalá, para enfrentar os limites desse sistema em crise, com suas renitentes visões sobre desenvolvimento, progresso e bem-estar. Esperamos, com este volume, contribuir para que esse debate se difunda, afortunadamente, para que se amplie, para que sejam apresentadas, conhecidas e debatidas essas e outras alternativas sistêmicas.
Esse propósito, retirado da apresentação da obra, situa o título como o terceiro vetor do projeto de extensão estruturado em torno dos ciclos de debate. Dividido em duas partes, o livro inicia com “Capitalismo e crise ambiental: diagnósticos, perspectivas e valores para a sustentabilidade da vida”, seção que analisa a trajetória da civilização ocidental contemporânea e discute como se estruturam as relações entre capitalismo e sistemas naturais. O primeiro capítulo apresenta o conceito de alternativas sistêmicas; o segundo discute a organização social e o lugar do trabalho feminino a partir da centralidade dos cuidados; o terceiro reflete sobre a ação humana no planeta; o quarto analisa os valores que orientam os comportamentos da humanidade e como devem ser superados para evitar o colapso ambiental; o quinto aborda o ecossocialismo e a ecologia marxista.
A segunda parte, “Alternativas viventes a esperançar a sustentabilidade da vida”, destaca práticas já existentes que contribuem para a sustentabilidade da vida. Como enfatizam os organizadores:
[…] essas alternativas não se encontram em um horizonte utópico, mas são práticas viventes que se perpetuam através dos tempos, a despeito das tentativas de extermínio, de aniquilação. Hoje, nossas perspectivas ainda essencialmente eurocêntricas, patriarcais, colonizadas parecem esgotadas. Uma vez que essas fórmulas gastas não parecem surtir mais efeito, devemos buscar, no imenso repertório de experiências de outras formas de organização que a humanidade ainda conserva, alternativas ao status quo. Cremos que é mais do que tempo de nos voltarmos a esses conhecimentos das mulheres, dos povos tradicionais, dos indígenas, dos quilombolas, que nos fornecem, como sugere Boaventura de Sousa Santos, uma abertura para as epistemologias do Sul.
Os quatro capítulos que encerram o livro exploram essas práticas. O primeiro deles propõe uma leitura não hegemônica da água, articulando simbolismos e sociabilidades outras para repensar nossa relação com esse bem essencial. O capítulo seguinte discute a superação do atual sistema agroalimentar, contrastando modelos e desmontando falácias que sustentam práticas insustentáveis. A seguir, o oitavo capítulo explora futuros pós-extrativistas e analisa caminhos para que países da América Latina reduzam sua dependência dessas atividades. Por fim, o livro se encerra com “Economia de Francisco e Clara”, que revisita a economia a partir das perspectivas inspiradas pelo Papa Francisco, articulando-se às correntes da economia ecológica.
Diante da avalanche diária de notícias sobre catástrofes ambientais, é fácil sucumbir ao pessimismo. Nesse cenário, Alternativas sistêmicas rumo à sustentabilidade da vida mostra-se uma leitura necessária: além de oferecer diagnósticos consistentes, apresenta iniciativas reais que resistem à lógica mercadológica dominante e apontam possibilidades de ação diante do colapso ambiental contemporâneo.
Para saber mais sobre o livro, visite nosso site!

Alternativas sistêmicas rumo à sustentabilidade da vida
Organização: Paulo Sérgio Fracalanza e Rosana Icassatti Corazza
ISBN: 9788526817944
Edição: 1ª
Ano: 2025
Páginas: 248
Dimensões: 21 x 14 cm