A história musical da Orquestra Sinfônica da Unicamp

Ana Alice Kohler

“A Orquestra Sinfônica da Unicamp realiza concertos, óperas, gravações, espetáculos multimídia, programas de educação e formação de público e música de câmara”, e quem caminha pelos campi da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ou participa de eventos da Universidade conhece de perto a atuação desse corpo artístico. Além disso, a instituição ainda atua paralelamente como laboratório de pesquisa em criação e performance musical. Há muito acerca da história desse importante componente da Universidade Estadual de Campinas que ainda é pouco conhecido pelo público em geral e até mesmo pelos apreciadores de sua música. Em Música e educação na trajetória da Orquestra Sinfônica da Unicamp, Lenita Waldige Mendes Nogueira apresenta documentos, relatos, imagens e dados que constroem um panorama da história da criação e do desenvolvimento da Orquestra Sinfônica da Unicamp (OSU).

Lenita Waldige Mendes Nogueira é docente do Departamento de Música do Instituto de Artes da Unicamp e atua nas áreas de Música Brasileira, Música do século XIX, Musicologia, estudos sobre Carlos Gomes, Ópera, entre outras. Graduada em Música pela Unicamp, especializou-se em Organização de Arquivos e desenvolveu seu mestrado em Artes na Universidade de São Paulo (USP). Posteriormente, doutorou-se em Ciências Sociais pela Unicamp, ocasião em que propôs um estudo acerca da música do fim do Império na cidade de Campinas. Com mais de dez livros publicados, Lenita dedica-se ao estudo da história do fazer musical e, em Música e educação na trajetória da Orquestra Sinfônica da Unicamp, trata especialmente da experiência do surgimento da orquestra oficial da Universidade Estadual de Campinas.

A obra, repleta de imagens de folders e cartazes que anunciam apresentações da OSU, também traz fotografias de eventos e de personalidades ilustres da música que fizeram parte dessa história. Além do texto de apresentação, escrito pela professora Itala M. Loffredo D’Ottaviano, e de uma nota prévia, a obra conta com um “Prelúdio” e três “movimentos”: “Andante Maestoso, 1982-1989”, “Allegro ma non troppo, 1990-2010” e “Agitato, 2010-2022”, que reproduzem as partes de uma composição musical, como as tocadas pela OSU ao longo dos anos. O livro faz parte da Série Extensão Universitária da Editora da Unicamp, que é “voltada à divulgação das contribuições, teóricas e metodológicas, das iniciativas de caráter extensionista” da Universidade. A autora contribui com a série ao apresentar uma iniciativa de extrema relevância para o diálogo e o intercâmbio de conhecimentos entre a Universidade e a sociedade em geral.

A obra relata os diversos acontecimentos que marcaram a trajetória da Orquestra com base nas pesquisas desenvolvidas por Alexandre José de Abreu, Cinthia Alireti, Francisco Amstalden, Meila Aparecida Tomé e Nicole Somera. Já no “Prelúdio”, a autora explica os caminhos e descaminhos da criação da OSU, que teve início em 1982, quase vinte anos após a fundação da Universidade. Para isso, Lenita Nogueira trata da criação do Departamento de Música e do bacharelado em Música, antes mesmo da existência do Instituto de Artes. Nesse contexto, a persistência e a adaptabilidade, características essenciais da OSU, já podiam ser vistas nos alunos e professores do curso de Música da época, alguns dos quais integrariam a Orquestra:

[O curso] funcionava de forma um tanto improvisada no galpão que hoje abriga a biblioteca do Instituto de Geociências e, para as aulas, emprestava algumas salas da Engenharia em um prédio ao lado. Não havia sala de professores. Havia, ainda, um anexo, onde eram ministradas as disciplinas da área de Composição […]. Nesse local, alguns alunos ficavam no período noturno, inclusive de madrugada, às voltas com gravadores e fitas, para preparar material para as aulas de composição eletroacústica, sempre acompanhados da fiel Joaninha, a cachorrinha que não deixava de comparecer às aulas de harmonia.

Apesar da precariedade das condições materiais da época, já havia interesse na criação de um conjunto musical próprio do Departamento de Música da Unicamp, concretizado com a criação do Núcleo de Integração e Difusão Cultural, ligado à Reitoria, englobando Música, Dança, Teatro, Artes Plásticas, Cinema e Fotografia e Cultura Popular. Coordenado pelo maestro Benito Juarez, então chefe do Departamento de Música, o projeto teve início em 1982 e deu o primeiro passo para a efetivação de uma ideia que germinava há anos nas mentes dos músicos da Unicamp.

Na segunda parte do livro, “Andante Maestoso, 1982-1989”, a autora recupera algumas manifestações do interesse da comunidade universitária pela criação de um grupo musical, como a Unicâmara, projeto informal que promovia eventos como os “Concertos do meio-dia” no campus. O ano de 1983, entretanto, marca o início formal da atuação da Orquestra de Câmara da Universidade. Mesmo sem um local específico para os ensaios, a Orquestra – que na época contava apenas com instrumentos de corda – deu início às suas apresentações, sempre em estreita relação com a Orquestra Sinfônica de Campinas e com o curso de Música do Instituto de Artes.

A terceira parte da obra – seu segundo “movimento” – trata dos acontecimentos que fizeram parte da história da OSU entre 1990 e 2010. Durante esse período, o grupo consolidou-se com a incorporação de novos instrumentos, deixando de ser uma orquestra apenas de cordas. Vários registros dos concertos realizados na época são apresentados e comentados em Música e educação na trajetória da Orquestra Sinfônica da Unicamp, incluindo pôsteres de atividades culturais realizadas em diversas cidades da região. Apesar de ter adquirido grande relevância em seus 20 anos de história, em 2002 a Orquestra ainda não possuía uma sede. Após o concerto de reinauguração do Espaço Cultural Casa do Lago, o local foi “invadido” pela Orquestra da Unicamp, que passou a ensaiar ali. Por fim, a autora destaca a saída do maestro Benito Juarez como um acontecimento importante, que demandou reestruturações na OSU.

O terceiro “movimento” da obra, “Agitato, 2010-2022”, trata das mudanças estruturais mais recentes. Lenita Nogueira destaca o progresso e a revitalização da Orquestra da Unicamp, especialmente após a fusão, em 2010, do Centro de Documentação de Música Contemporânea com o Núcleo de Integração e Difusão Cultural, do qual a Orquestra fazia parte desde a criação. A partir daí, o grupo musical passou a contar com mais recursos e a integrar um projeto maior de preservação e difusão da música contemporânea brasileira. Assim, foi possível criar uma sede, a Sala Almeida Prado, além da estruturação de regimes internos e apoio administrativo. Como resultado, houve uma profusão de projetos e apresentações, como o “Arte do Bem”, patrocinado pela Bosch.

Além das fotografias de diferentes momentos da trajetória da Orquestra, a obra apresenta fontes e referências relevantes para quem deseja aprofundar-se na história desse importante componente da Universidade Estadual de Campinas. Para saber mais sobre Música e educação na trajetória da Orquestra Sinfônica da Unicamp, acesse nosso site!

Música e educação na trajetória da Orquestra Sinfônica da Unicamp

Autora: Lenita Waldige Mendes Nogueira

ISBN: 978-85-268-1789-0

Edição: 1ª 

Ano: 2025

Páginas: 144

Dimensões: 14 x 21 cm

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