Por Maria Vitória Gomes Cardoso
O hábito da leitura é um dos que mais contribuem para o desenvolvimento crítico e cívico das pessoas. Por meio da leitura, entramos em contato com diversos tipos de textos e pontos de vista, que promovem um senso crítico mais aguçado e uma mente mais aberta e empática. Contudo, no Brasil esse hábito não é tão popular entre os cidadãos, como afirmou Jézio Hernani Bomfim Gutierre, diretor-presidente da Editora Unesp, em uma entrevista para o podcast Prato do Dia da Unesp. Segundo Gutierre, “o Brasil tem um nível baixo de frequência de leitura em comparação com países de tradição livreira […] e em comparação com outros países latino-americanos, que têm, presumidamente, o mesmo padrão de formação que o Brasil”. Diversos são os motivos para que a frequência de leitura nacional seja tão baixa, mas uma das principais razões é a desigualdade social e, consequentemente, a falta de acesso a materiais de leitura para a maior parte da população.
Pensando nisso, a Editora da Unicamp desenvolveu o Programa de Acesso Aberto da Editora da Unicamp, uma política de acesso aberto e gratuito de parte de suas obras. Com esse programa, a Editora tem como objetivo a difusão do conhecimento e o incentivo à leitura, a fim de aumentar o número de leitores no país, de uma forma mais acessível. Os livros disponibilizados em versão eletrônica abrangem áreas diversas e podem ser baixados diretamente pelo site da Editora, o que facilita o acesso dos leitores às obras. A seguir, conheça os mais de 18 livros gratuitos da Editora da Unicamp disponíveis em PDF.
O desertor, obra publicada pela primeira vez em 1774, foi escrita pelo poeta brasileiro Manuel Inácio da Silva Alvarenga. Em suas 200 páginas, o livro traz críticas satíricas sobre a juventude da época, ao narrar as peripécias de um grupo de estudantes da Universidade de Coimbra. O livro é considerado um dos textos mais importantes para o estudo da ilustração luso-americana no século XVIII e com ele o autor entrou para a história literária brasileira como destaque do Arcadismo.
Essa edição crítica, publicada em 2003, busca preencher um vácuo na história da literatura luso-brasileira do período neoclássico e foi preparada por Ronald Polito, poeta, ensaísta, tradutor e historiador brasileiro.
Publicada em 2009 pela Editora da Unicamp, Poeta do lápis aborda a história de Angelo Agostini (1843-1910), desenhista ítalo-brasileiro que firmou carreira no Brasil e foi o mais importante artista gráfico do Segundo Reinado. A obra de 472 páginas acompanha os passos de Agostini em São Paulo e no Rio de Janeiro e examina os traços que ele desenhou para diversos jornais e revistas no intuito de desvendar os significados da crítica social e política, no final do século XIX, no país.
O autor da obra, Marcelo Balaban, possui graduação em Letras pela Universidade Estadual de Campinas, mestrado em História Social da Cultura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas. Balaban tem experiência na área de História do Brasil do século XIX, com ênfase no estudo de literatura, caricatura e temas associados aos debates sobre raça e cidadania no período, sendo, portanto, uma ótima referência para o estudo sobre Angelo Agostini.
Publicada em 2013 e escrita pelo bioantropólogo e arqueólogo Walter A. Neves, Um esqueleto incomoda muita gente… faz parte da Coleção Meio de Cultura, que traz textos em linguagem acessível a todos que apresentam os caminhos e descaminhos da ciência e da tecnologia, de uma forma um pouco mais descontraída, como se nota, por exemplo, no título em questão. A Coleção Meio de Cultura também procura despertar o encanto pelo conhecimento, pela curiosidade, pela beleza e pelos mistérios do universo e da humanidade.
Nesse sentido, Um esqueleto incomoda muita gente… mostra, em suas 160 páginas, como marcas e patologias ósseas permitem recuperar a história pessoal ou da sociedade a que um indivíduo pertence. A obra evidencia, portanto, a quantidade quase ilimitada de informações que podem ser retiradas de um esqueleto pré-histórico.
A arte de escrever cartas, obra publicada em 2005, apresenta três dos principais modelos de tradição letrada ocidental a autorizar e prescrever a produção das epístolas. Os modelos são: Rationes dictandi (1135), do chamado Anônimo, da escola de Bolonha; Brevissima formula (1520), como ficou conhecido o primeiro dos três tratados de Erasmo de Rotterdam sobre ars dictaminis; e Epistolica institutio (1590), de Justo Lípsio.
Trata-se de uma leitura fundamental para quem busca uma introdução segura sobre a leitura de documentos epistolares, pois aborda três obras fundamentais para o conhecimento das regras de escrita de cartas, que até então tinham pequena circulação, restritas a poucos estudiosos, e que se encontram agora traduzidas para o português e disponíveis ao público brasileiro.
A obra de 168 páginas foi organizada por Emerson Tin, que possui formação na área de Letras pela Unicamp e na área de Direito pela PUC-Campinas.
5. Ciência e tecnologia no Brasil
Publicado em 2007, Ciência e tecnologia no Brasil é um livro de 216 páginas que aborda a política da ciência e da tecnologia no país, dando enfoque em aspectos sociológicos e econômicos. Nele, o autor, Renato Dagnino, mostra como a comunidade de pesquisa tem contribuído para a “blindagem política” (politics) dessa política (policy), dificultando sua “contaminação” por projetos políticos contra-hegemônicos que se manifestam na sociedade. A obra mostra por que essa política vem sendo orientada num sentido tão distinto daquele demandado pelo cenário de democratização política e econômica em construção.
Renato Dagnino estudou na Universidad de Concepción, no Chile, passou pelo mestrado em Economia do Desenvolvimento na UnB e pelo doutorado em Ciências Humanas da Unicamp.
Lideranças do Contestado, publicado em 2004, é um estudo de 400 páginas sobre as origens e a formação política das lideranças sertanejas do Contestado, notadamente dos “comandantes de briga” das “cidades santas”, que dominaram extenso território do interior de Santa Catarina e do Paraná, entre 1912 e 1916. O livro busca situar o conflito do Contestado com base na história social do sertão, analisando os caminhos percorridos pelas tropas, as disputas políticas, o povoamento, as tradições e as transformações ocorridas na região, na virada do século XIX para o XX.
Paulo Pinheiro Machado, autor da obra, é doutor em História pela Unicamp e realizou seu pós-doutorado na Universidade Federal Fluminense e na Universitat Autònoma de Barcelona. Tem experiência na área de História do Brasil, com ênfase no período do Império e nas primeiras décadas da República.
A obra Um saber necessário, publicada pela Editora da Unicamp em 2012, em suas 152 páginas, faz um balanço bibliográfico da produção acadêmica dos temas rurais brasileiros nas últimas décadas. Nesse percurso, a autora descreve o ambiente intelectual em que as principais reflexões ocorreram, como centros de pesquisa, estudos, associações e encontros acadêmicos existentes em vários momentos dos períodos históricos tratados.
A autora, Maria de Nazareth Baudel Wanderley, é doutora em Sociologia pela Universidade de Paris X-Nanterre, França, e foi professora da Unicamp até 1997, quando se aposentou.
8. Direitos e justiças no Brasil
Direitos e justiças no Brasil é um livro de 2006 publicado pela Editora da Unicamp e organizado por Silvia Hunold Lara e Joseli Maria Nunes Mendonça. Nesse livro, as organizadoras mostram a complexidade da definição do que é direito e justo, afinal, essa definição depende de um jogo político que envolve toda a sociedade. O livro, que contém 540 páginas, possui diversos artigos escritos por excelentes autores. Cobrindo vários momentos da história do Brasil (da colônia à ditadura militar), os textos mostram como as normas legais, os procedimentos jurídicos e as diversas concepções de direito fazem parte da vida social.
Silvia Hunold Lara possui graduação em História (1977) e doutorado em História Social (1986) pela Universidade de São Paulo. Joseli Maria Nunes Mendonça é doutora em História (2004) pela Universidade Estadual de Campinas, na qual também se graduou (1988) e concluiu mestrado (1995).
Publicado em 1995 e contendo 215 páginas, Eletrodinâmica de Weber é um material completo de apresentação da Eletrodinâmica de Weber. Esse livro ressalta que a lei de Weber é compatível com as equações de Maxwell, assim, é evidenciado também no decorrer desse trabalho como se derivam as equações de Maxwell a partir da força de Weber. Outro objetivo do livro é complementar a cultura do leitor sobre a eletrodinâmica de Maxwell. A obra destina-se a estudantes dos cursos de graduação ou de pós-graduação em Física, Engenharia ou Matemática que ainda não tenham se familiarizado com o assunto.
André Koch Torres Assis atua como professor de física na Universidade Estadual de Campinas, trabalhando com gravitação, eletromagnetismo, cosmologia e história da ciência. Esses trabalhos, porém, trazem um novo paradigma para a física, que, em mecânica e gravitação, tenta implementar quantitativamente as ideias de Leibniz, Berkeley e Mach a partir dos trabalhos de Weber em eletromagnetismo. Assis recebeu o Prêmio Jabuti na categoria “Ciências Exatas” por duas vezes: em 1996 pelo livro Eletrodinâmica de Weber e em 2012 pelo livro Eletrodinâmica de Ampère.
Imagens do sagrado, em suas 168 páginas, trata do embate midiático de imagens do candomblé registradas na cidade de Salvador (BA) e publicadas nas revistas O Cruzeiro e Paris Match, em 1951. O livro, publicado em 2009, traz uma significativa contribuição para a construção de uma metodologia de trabalho que alia técnicas de reportagem jornalística às melhores práticas de pesquisa de campo da antropologia.
A partir de fontes documentais, pesquisa de campo das memórias vivas, levantamento de material iconográfico e bibliografia original e inédita, a pesquisa analisa o fato midiático do enfrentamento entre as duas revistas em relação à documentação fotográfica do ritual de iniciação no candomblé dos vários pontos de vista de seus atores.
Fernando de Tacca, autor do livro, é doutor em Antropologia pela USP, mestre em Multimeios pela Unicamp e ganhador do Prêmio Pierre Verger de Fotografia e do Concurso Nacional Marc Ferrez de Fotografia/Funarte.
11. Por uma vanguarda nacional
Em Por uma vanguarda nacional, publicado em 2004, a autora Maria de Fátima Morethy Couto examina questões que marcaram a introdução da arte abstrata no Brasil, nos anos 1950, e a retomada da figuração na década seguinte, refletindo sobre o desejo de afirmação cultural e de busca de uma identidade artística nacional presente nos textos de artistas e críticos atuantes no país. Analisando os escritos de alguns desses críticos, em especial Mário Pedrosa e Ferreira Gullar, a autora discute nas 256 páginas os princípios que nortearam sua defesa do moderno e do nacional.
Maria de Fátima Morethy Couto é doutora em História da Arte e Arqueologia pela Universidade de Paris I (Panthéon-Sorbonne) e professora titular da Universidade Estadual de Campinas, onde leciona história da arte moderna e contemporânea. Escreveu recentemente o livro A Bienal de São Paulo e a América Latina também pela Editora da Unicamp.
12. Neutralidade da ciência e determinismo tecnológico
Com Prefácio de Andrew Feenberg, um dos mais renomados estudiosos marxistas do tema, Neutralidade da ciência e determinismo tecnológico é leitura obrigatória para as pessoas que têm a intenção de materializar um estilo de desenvolvimento socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente sustentável. O livro, escrito por Renato Dagnino, autor também do livro Ciência e tecnologia no Brasil, foi publicado em 2008 e conta com 280 páginas.
Renato Dagnino estudou engenharia em Porto Alegre e economia no Chile e no Brasil e é doutor em Ciências Humanas, com pós-doutorado e livre-docência em Estudos Sociais da Ciência e Tecnologia.
13. O livro agreste
Em O livro agreste, publicado em 2005, o autor examina, nas 208 páginas que o título possui, sob ângulo não nacionalista, algumas obras de três autores importantes da literatura brasileira: Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos e João Cabral de Melo Neto.
Disposto a um franco debate de ideias, o autor Abel Barros Baptista investiga novos horizontes de abordagem desses autores, muitas vezes em discordância frontal com leituras consagradas no Brasil. O resultado é uma investigação original e animada a respeito do próprio papel da crítica e da reflexão literária hoje.
Abel Barros Baptista possui licenciatura e doutorado em Estudos Portugueses, com especialidade na Literatura Brasileira, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde é, atualmente, professor catedrático do Departamento de Estudos Portugueses.
Em Nas trincheiras da cura, obra publicada em 2005, a autora narra em 166 páginas a história do curandeiro Marius, mostrando a insistência de alguns periódicos em afirmar que os médicos eram melhores em relação aos curandeiros, em função da “ineficácia do charlatanismo”. Essa obra tenta compreender como se encontravam os médicos científicos naquela conjuntura e explicita o contexto do Rio de Janeiro na segunda metade do século XIX. Com base em documentos variados relativos à saúde pública, é evidenciado o alcance das indicações dos higienistas nos casos das tão procuradas práticas ilegais de medicina.
Gabriela dos Reis Sampaio, autora do título, é professora do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia (UFBA) desde 2002 e faz parte do Programa de Pós-Graduação em História da mesma universidade. A escritora tem experiência na área de História do Brasil, atuando principalmente nos seguintes temas: História do Brasil Império, Rio de Janeiro e Bahia, Escravidão, Religiões Afro-Brasileiras, Cultura Popular.
15. Max Weber: entre a paixão e a razão
Em Max Weber: entre a paixão e a razão, publicado em 2004, Héctor L. Saint-Pierre realiza em 144 páginas uma síntese clara e precisa dos mais importantes aspectos do pensamento de Weber. Maximilian Karl Emil Weber foi um intelectual, jurista e economista alemão considerado um dos fundadores da Sociologia, e em seus trabalhos, tanto nos metodológicos como nos escritos políticos, nota-se o conflito entre a paixão e a razão.
Héctor L. Saint-Pierre nasceu na Argentina, onde se graduou em Filosofia. No Brasil completou o mestrado e o doutorado em Filosofia pela Unicamp. Nacionalizado brasileiro, publicou versão de sua tese (A política armada, São Paulo, Editora Unesp, 2001). Realizou pós-doutorado na Universidad Autónoma de México e livre-docência na Unesp.
As noites do Ginásio é uma obra que apresenta um rico painel da vida cultural na Corte, entre 1832 e 1868.
O livro, publicado em 2002, conta a história das tensões entre teatro, literatura e política na segunda metade do século XIX e trata-se de uma pesquisa histórica sobre a vida do Teatro Ginásio Dramático, do Rio de Janeiro, com suas representações, a repercussão das peças e as ideias que circulavam em torno delas. Nele, a autora, Silvia Cristina Martins de Souza, aborda a imagem incutida ao teatro pelos literatos que ali fizeram representar suas peças realistas, além disso, ela examina a interferência do Conservatório Dramático Brasileiro na vida teatral e os conflitos gerados pela censura. Por fim, investiga os motivos da curta duração desse chamado “período áureo”, que foi seguido pela popularização do teatro cômico e musicado.
Silvia Cristina Martins de Souza possui graduação em História pela Universidade Santa Úrsula, além de mestrado e doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas.
Em Algazarra nas ruas, livro publicado em 1999, Wlamyra R. de Albuquerque leva o leitor a compreender as várias faces das comemorações do 2 de Julho na Bahia, principalmente entre 1889 e 1923, período em que o evento assumiu um sentido político especial, representando a resistência nacional contra os portugueses.
Wlamyra R. de Albuquerque, autora também do livro De que lado você samba?, é uma historiadora brasileira, professora do Departamento de História da Universidade Federal da Bahia, especialista nos temas da Abolição e do Pós-Abolição no Brasil. É autora de obras didáticas e acadêmicas que tratam da história das relações étnico-raciais e da cultura afro-brasileira. Fez o mestrado em História Social pela Universidade Federal da Bahia e o doutorado em São Paulo, na Universidade Estadual de Campinas.
18. Livros de redações (2012 a 2015)
Todo ano a Editora da Unicamp, em parceria com a Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest), lança um livro da Série Redações do Vestibular Unicamp, que possui em média de 100 a 140 páginas. Os livros dessa Série são ótimos materiais para quem pretende prestar a prova da Unicamp, pois neles são reunidas redações que obtiveram as melhores notas e que são excelentes exemplos para quem também pretende passar no vestibular com uma boa nota na redação.
É importante ressaltar também que, ao lidar com a perspectiva dos gêneros discursivos, esses livros possibilitam ao candidato refletir acerca dos aspectos sócio-históricos e culturais relacionados à produção textual, levando em consideração, acima de tudo, as condições de produção, o propósito e os efeitos de sentido dos textos apresentados, o que, por conseguinte, possibilita ao candidato pensar seu lugar como autor, e não apenas como alguém que deveria executar uma tarefa mecânica com modelos de redação.
No Programa de Acesso Aberto, a Editora da Unicamp disponibilizou os PDFs dos livros de 2012, 2013, 2014 e 2015.
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Os livros citados ao longo deste texto estão disponíveis no site da Editora da Unicamp de forma gratuita e podem ser baixados no formato PDF. O Programa de Acesso Aberto da Editora da Unicamp é uma política que busca difundir algumas das obras da Editora de maneira acessível, contribuindo para o crescimento do interesse literário e científico da população brasileira. Visite o nosso site e aproveite!